Imaginarius 2007...
Nos passados dias 17, 18 e 19 de Maio, realizou-se a 7ª edição do Imaginarius, o festival internacional de teatro de rua, de Santa Maria da Feira... Estivemos no último dia, e destaco aqui, três momentos que nos surpreenderam, por ordem crescente…

A Companhia Arra, oriunda de Itália, trouxe um espectáculo de animação de rua, com um toque de "pré-malabarismo", e algum fogo cuspido. Tinham algumas preocupações coreográficas mas, o sentido de ocupação de espaço e de movimento, pareceram descurados. Em relação ao “impacto visual”, este aconteceu, mas também não foi difícil: uma noite escura, iluminação pública rarefeita, muitas tochas e malabares de fogo a desenharem linhas efémeras de luz…
Alguns minutos depois, a Companhia Doedel ofereceu-nos um cenário de futuro apocalíptico, em que o bem mais precioso seria o FOGO. Uma fábrica de chamas, nome dado ao espectáculo,
onde o som dos batimentos no aço, se assemelhavam aos de um coração magmático prestes a explodir… Uma atmosfera intensa, em que a nossa retina foi impressionada com os laranjas e amarelos que saltavam da combustão da madeira seca, e da agressão que o fogo foi sujeito pelos obreiros do recinto industrial. Estes, mesmo caminhando verticalmente como vivos mas pareciam mortos … O capuz que ostentavam, omitia, uma identidade aparentemente clerical de uma face ornamentada por pinturas rudes, num universo dantesco…
Aqui, a satisfação e a temperatura cresceram, com o fogo servido….

Aqui, a satisfação e a temperatura cresceram, com o fogo servido….
A fome apertou e perseguimos víveres… Inalámos com insistência o cheiro do óleo queimado das pipocas e das farturas, e engolimos uma meia de leite e um galão….
A expectativa recaía essencialmente para aquele que foi o auge: a companhia Puja!, composto
por performers espanhóis e argentinos, num espectáculo intitulado “k @osmos”… Meio complicado de pronunciar, mas de uma simplicidade refrescante, após todos os graus Celsius a que estivemos sujeitos nos momentos anteriores. Acompanhados por uma banda ao vivo, que definia o ritmo empregue ao içar da estrutura esférica de metal, denominada por "La Bola”, e que marcava também, os tempos da coreografia dos ágeis performers latinos… Fizeram chover esferovite sobre as cabeças dos milhares que assistiram, atiraram-nos bolas insufláveis gigantes, e acariciaram as mãos de muitos, com um voo rasante sobre o público que não deixava de olhar o céu… Foi uma boa estreia nacional e uma excelente maneira de acabar o nosso Imaginarius 2007…
